A moça tinha encontrado com ele na praça para ouvir um sacerdote famoso daquela região, perto do rio leste. Convidou o rapaz fazia uma lua e meia, que contou no seu relógio solar os centímetros que faltavam para o discurso daquele sábio começar. Em verdade, ele levava uma carta no bolso para entregá-la. Ou seja, ia também pela companhia. Ela vinha de um lugar distante e se conheceram porque um cantor daquele condado, do qual ambos eram fã, tinha os apresentado. Até então, nunca trocaram cartas, mas tinham gostos parecidos. Ouviam gente parecida. E começava o discurso.
Enquanto o iluminado falava, ela assobiava uma cantilena da província do rapaz. Tentava deixar o tempo passar mais rápido. Alguma coisa incomodava a placidez comum dela. Foi quando, antes mesmo de o sacerdote terminar sua homilia, um cavaleiro chamou-a pelo nome atrás da multidão:
- Nenhuma!
Aos pulos, entregou ao rapaz dois bilhetes de um espetáculo que logo ia passar na casa de festas da esquina. Apertou a mão e foi embora.
No horário, ele rumou ao recinto da peça, conforme havia entendido. Ficou na ante-sala do recinto, esperando que ela aparecesse. No convite, a moça não tinha falado palavra alguma. Apenas fez o gesto de entregar as entradas. E ele ficou lá, por toda noite esperando. Quando o relógio de sol da praça reencontrou a própria sombra e os galos começaram a afinar o louvor do dia, decidiu ir embora. No outro dia, nenhum cavaleiro apareceu com uma mensagem para explicar-lhe o ocorrido. Como não sabia de qual rincão era a moça, decidiu seguir seus passos desajeitados. Guardou a carta para um outro dia, mas nunca mais a viu naqueles discursos fanáticos da praça.
10 de abril de 2007
Relógio de sol
6 de abril de 2007
Atalho
Aos que, mesmo importunados com meu desleixo de aceitar as distâncias e afastar-me um bocado, queiram repetir o velho ato na data querida, digitem:
0021 5411 4381-0734
Senha: "Yo quiero hablar con Filipe".
"De uma cidade, não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete maravilhas, mas a resposta que dá às nossas perguntas."
Calvino
0021 5411 4381-0734
Senha: "Yo quiero hablar con Filipe".
"De uma cidade, não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete maravilhas, mas a resposta que dá às nossas perguntas."
Calvino
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