18 de junio de 2007

Venho pela calçada, a passos curtos, buscando a hipálage perfeita para uma música que quero compor. Faz algumas semanas que tento casar uma nova harmonia com alguma história simples. Evito repetir a dicotomia 'simples e complicado'. Enchi vários papéis com metáforas medíocres sobre como eu penso que deveria levar a vida. Dentro de um ônibus, sobre um domingo, contra a mão. Vejo, e isso me tinha dado conta antes mesmo de dar uma volta pelo bairro Monserrat, que é preciso buscar uma via fresca. Algumas frases que rindam esculpir um objeto que desconheço. Em suma, caminho observando detalhes, e batalho contra minha ignorância para ganhar uma rima mais suave que meus anseios. Já se tornaram frívolos.

Pensei em escrever sobre um guri. Alguém que, com os dezessete anos, quer voltar à casa porque desacredita no êxito que buscava na faculdade. Quer limpar os boletins e fazer tudo outra vez. E tenho dito com jura a verossimilhança da anedota. Não tenho é noção de onde tenho tempo ainda para levar esse intento de melodizar meus passeios, sendo que me sobram três dias para vomitar um artigo acadêmico em español. Até que estou afinado no idioma. Tanto que me custa, duplamente, levar essas frases até o final -duplamente porque me resulta indefinido o ponto final. Por isso sou fã das narrativas de James Joyce. Nunca as li, mas ouvi de um amigo que têm a ousadia de tentar repetir o fluxo da consciência. Seria lindo e vadio poder ler, em qualquer outro sistema capaz de codificar, veementemente, as frases soltas e vulcanizadas do pensamento.

Uma saudação ao meu solitário leitor.

Obrigado, escritor.

2 comentarios:

Cauê dijo...

eu li, eu li!

nicouubi dijo...

wow!..lo lei como casi dos años despues..lo encontre de casualidad..escribiendo nombres de las personas que conozco en google para ver q aparece...=)
te quiero mucho!!