Tenho um par de fotos daqui. O tempo vai passando e eu sequer congelo os segundos. Tenho um bocado de medo, mas levo sem pressa. Bati algumas, mas não sei até onde foram poucas, até quando são muitas. A máquina analógica encarece as coisas. É uma das minhas angústias, um pedaço de gelo que guardo dentro da minha vaporizada curiosidade. Congelar, frear, reter, manter, querer sempre, como “O Perfume”, de Patrick Süskind. Enfim, tenho até o medo de matar minha paixão com a própria gana de tê-la, esse egoísmo involuntário que é querer o amor de quem se ama.
Hoje era meu primeiro dia de aula. Bem, o dia não o deixou de ser uma aula sobre o que eu terei pela frente. Estudo numa faculdade recente (pouco mais de vinte anos que a Sociologia saiu da Faculdade de Direito e desenvolveu seu próprio núcleo na UBA), que tem a sede descentralizada em três pontos de Buenos Aires. Há onze anos, professores, servidores e alunos estão lutando pela construção de uma sede única para a Faculdade de Ciências Sociais da UBA. Neste sábado, enfim, iriam fazer a inauguração da primeira etapa da construção da obra. Convidaram todas as agrupações estudantis (17 só na FSoc) para definir quais salas ficariam disponíveis para cada agrupação. Como as salinhas dos CAs, no Brasil. A diferença é que é um espaço por agrupação estudantil, e não por carreira. Indubitavelmente, cada agrupação, numa faculdade de sociologia, representa a visão de algum grupo político ou tribo ideológica maior. Trotskistas (poucos), nacionalistas (muitos), socialistas, (bastantes), revolucionários (médios), sócio-democratas (raros), progressitas (nenhuns). Na FSoc, é o que parece ter. Inclusive, é o que costumo ver nas ruas.
Como qualquer rixa que há entre esses grupos políticos, há também na FSoc. Naquele sábado, um, e apenas um dos 17 grupos discentes, se manifestou insatisfeito com a distribuição das salas (que estavam sendo feitas anarquicamente, ou seja, a faculdade deixou a cargo dos alunos para resolverem isso). Indignado com a resolução, o grupo quebrou as portas da nova sede. Como um castigo pelo ato, a gestão da faculdade resolveu suspender o primeiro dia de aula.
Mesmo sabendo da paralização, lá fui eu conversar com alguns estudantes. Encontrei, além das brigas entre os grupos estudantis, que batiam boca frente às portas fechadas de uma das sedes, motivos além. “Es político.” Acontece que a UBA não tem dinheiro para finalizar a obra. Uma militante, aluna de Comunicação Social, disse que tudo não passa de uma fumaça para deixar opaca a real situação da FSoc: a falta de dinheiro.
2 comentarios:
Haha, eu vi o teu blog :D
Tenho muuitas saudades :*
politica. nah, toh fora.
meu proximo ensaio eh sobre o frankenstein :P
se cuida aih, rapaz, saudades gigantes de ti!
:***
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