Chove, dia e noite, sem parar. Como as aulas começaram, tenho só impressões de papel. É texto atrás de texto, nome atrás de nome, revolução atrás de crise. Enquanto voltava para casa, sob o cinza mundo de outono, li:
"O filho, curioso, abordou o pai, que chegara cansado depois de um dia longo de trabalho:
- Pai, quanto você ganha por hora?
O pai, estafado, mandou para os ares a dúvida singela do garoto:
- Por hora? Nem eu sei. Ademais, o que te importa, meu filho. Tô cansado demais e quero descansar.
- Mas pai, aprendi na escola que todo mundo ganha por hora. Quando você ganha por hora?
O pai, como num movimento de compressão dos dedos, tentou se acalmar:
- Tá. Dez pesos.
O filho insistiu:
- Me dá cinco pesos?
- O quê? Além de me encomodar, eu, cansado que estou, você ainda me pede dinheiro? Ah, Senhor. Te manda daqui, vai! Cai fora, vai dormir, estudar, sei lá.
Desestimulado, o filho virou as costas e volta para o quarto. Naquele momento, o pai tropeça num suave arrependimento e tira cinco pesos da carteira para dar ao filho. Ao alcançar o quarto, retoma a voz tranquilamente:
- Toma, guri. É seu.
O rapaz muda o cenho imediatamente. Pega o dinheiro e corre para o travesseiro. Lá, junta com outros cinco pesos amassados e carrega a soma do dinheiro para o pai:
- Posso ficar uma hora com você?"
Aí, não quis ser dramático. Só achei o treco singelo e tô reproduzindo. Até pensei duas vezes antes de publicar. Enfim, não é nada incrível. Tá mais para auto-ajuda barata. Bem, aqui está. Até.
27 de marzo de 2007
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2 comentarios:
aparece, desaparecido. casa nova hoje?
também tenho casa nova
http://twopintsoflager.blogspot.com
Se eu te enviar 10 pesos num envelope escrito "urgente", tu passas uma hora comigo? Sinto bastante sua falta!
Adorei ler parte do e-mail aqui.
Beijos!
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